
O principal objetivo deste Blogue é dar a conhecer as diversas áreas de intervenção de um Terapeuta da Fala e qual o seu trabalho nas mesmas.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
A Terapia da Fala
Poster realizado com o intuito de demonstrar, resumidamente, qual o trabalho do Terapeuta da Fala e quais as áreas de intervenção da Terapia da Fala.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
A Terapia da Fala nas Artes
Como numa publicação anterior referi o trabalho do Terapeuta da Fala (T.F.) no teatro, achei interessante questionar: “Este Profissional poderá intervir noutras artes?”.
Claro! Não só como no teatro, onde é fulcral ter em atenção toda a comunicação e voz, há cuidados a ter tanto no ramo da música, como da rádio e da televisão.
Sendo o T.F. o responsável pela prevenção, avaliação, diagnóstico, tratamento e estudo da comunicação humana e das suas perturbações, deverá intervir nestes âmbitos, fazendo com que a comunicação seja eficaz, evitando o surgimento de problemas, como as patologias vocais.
Na música, mais precisamente com os cantores, o T.F. tem um trabalho fundamental, não só quando apresentam perturbações vocais, mas atuando de forma a que estas não ocorram. A meu ver, é importante salientar que existem muitas diferenças entre a voz falada e cantada, porém as estruturas fonoarticulatórias são as mesmas (língua, laringe, pregas vocais, pulmões, mandíbula, bochechas, dentes, palato (mole e duro), cavidade nasal).
Então, o T.F. deverá orientar o cantor para o uso correto da voz, falada e cantada, sem que este exerça esforços desnecessários que possam prejudicar o seu aparelho fonador.
É fulcral que estes Profissionais trabalhem numa equipa multidisciplinar, juntamente com o Professor de canto e com o Otorrino. O Professor de canto deverá auxiliar o cantor a ter técnica de domínio vocal (da voz cantada), propiciando a expressão de sentimentos e ideias coerentes. Já o Otorrino será o responsável pela avaliação activa e/ou passiva (do movimento ou em repouso) das estruturas fonoarticulatórias, nomeadamente da laringe. Este trabalho conjunto trará grandes benefícios ao cantor, promovendo a sua saúde vocal.
A música poderá ainda auxiliar o T.F. noutras áreas de intervenção, ajudando na aprendizagem, com a estimulação da consciência fonológica e, consequente melhoria na aquisição da linguagem escrita, auxiliando também na estimulação da linguagem (tanto em crianças como em adultos), trazendo assim muitos benefícios na obtenção de resultados, adequando-se a cada caso específico.
Já relativamente à rádio, é sabido que é o único meio que utiliza exclusivamente a voz para a transmissão da mensagem, sendo indispensável que esta seja agradável e que transmita corretamente o que é desejado.

Para que haja percetibilidade da comunicação, a articulação verbal deverá ser precisa, deverá haver controlo da respiração e, é importante que haja conhecimento e uso consciente da própria voz, utilizando-a de maneira a demonstrar as emoções desejadas, com correta prosódia, entoação, velocidade, ritmos e pausas para cada tipo de mensagem. Aí deverá entrar o T.F., pois é o Profissional que orienta para que haja uma boa comunicação, adequando parâmetros alterados (de voz, de articulação verbal e de respiração), bem como esclarecendo de que forma as frases podem ser transmitidas dependendo do seu contexto (notícias, entretenimento, publicidade, etc.) e ainda, novamente, prevenindo que apareçam perturbações no principal instrumento dos Locutores, a voz.
No que concerne à televisão, o trabalho do T.F. não se resume apenas à voz, pois em televisão torna-se importante toda a comunicação, considerando a expressão verbal e não verbal, incluindo ao trabalho, para além da voz e da articulação verbal, o gesto e a expressão facial.

Como na rádio, a voz ouvida através da televisão deverá ser “chamativa”, sendo o T.F. capaz de adequar elementos como a prosódia, a ênfase, a velocidade, o ritmo de fala e etc. a cada tipo de mensagem, considerando ainda alguns erros cometidos na comunicação.
Quando me refiro a televisão, refiro-me essencialmente aos Jornalistas, pois é o trabalho mais reconhecido (mas pouco usado) com os Terapeutas da Fala em Portugal. Porém existem outros âmbitos na televisão, ou cinema, isto é, o T.F. não só poderá auxiliar os Jornalistas a captar a atenção dos ouvintes, através de uma boa comunicação, mas também poderá colaborar com Apresentadores, com o mesmo objectivo e ainda Atores, ajudando-os a adquirir padrões comunicativos (voz, fala, linguagem e comunicação não verbal) para uma correta interpretação da personagem, sem causar quaisquer malefícios nas suas estruturas fonoarticulatórias.
Ou seja, para além de que o trabalho do T.F. nas artes seja ainda escasso em Portugal, sabemos que é possível que este Profissional intervenha em alguns âmbitos, promovendo uma melhor comunicação, captando a atenção do público-alvo e, acima de tudo, prevenindo que apareçam perturbações vocais e alterações na comunicação (distratores da atenção, por exemplo).
domingo, 22 de julho de 2012
"O Alex Barulhento"
Este vídeo foi realizado com o intuito de consciencializar as crianças para a importância da voz e dos cuidados a ter com esta.
Surge após o convite para uma palestra na área de Terapia da Fala, no âmbito do projecto "Miúdos e Graúdos", promovido pela representação de pais da Direcção Regional de Qualificação Profissional. Desde já, o meu muito obrigado.
Espero que gostem =)
Surge após o convite para uma palestra na área de Terapia da Fala, no âmbito do projecto "Miúdos e Graúdos", promovido pela representação de pais da Direcção Regional de Qualificação Profissional. Desde já, o meu muito obrigado.
Espero que gostem =)
quarta-feira, 2 de maio de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
A Terapia da Fala e a Apneia do Sono/Roncopatia
Novamente debruço-me numa área de intervenção da
Terapia da Fala pouco abordada em Portugal, no Síndrome da Apneia Obstrutiva do
Sono (SAOS) e/ou na roncopatia, sendo estas integradas no campo da motricidade
orofacial, já anteriormente mencionado neste blogue.
O sono, para além de ser fundamental para descansar
e ganhar energias para as tarefas do seu dia a dia, é fulcral para a memória,
para fortalecer a imunidade e até para equilibrar o metabolismo. Existem
estudos que admitem que uma boa noite de sono pode prevenir a obesidade,
alterações da tensão arterial, a depressão e o risco de doenças
cardiovasculares, para além de favorecer o desempenho físico e profissional, de
fortalecer a memória e de controlar os diabetes.
Porém, existem algumas alterações do sono, como a
roncopatia e, num estado mais avançado, o Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono
(SAOS).
A roncopatia é conhecida como o ressonar
intermitente e intenso, podendo considerar que é o ruído produzido pela
vibração dos tecidos da faringe, localizados entre a língua e o palato, sendo
esta devida à dificuldade de passagem do ar pelas vias aéreas superiores. A
prevalência desta alteração é maior nos homens, sendo notado um aumento desta
em ambos os sexos após os 40 anos (segundo a Sociedade Brasileira de Rinologia
e Cirurgia Plástica Facial cit in Soares et al, 2010). Estima-se que em Portugal cerca de 20% da população
apresente roncopatia.
Como supramencionado, o SAOS é manifestado numa fase
mais avançada do que a da roncopatia, caracterizando-se pela paragem
respiratória enquanto dormimos, originada pelo bloqueio da passagem do ar. Esta
perturbação do sono tem muitas consequências na vida do indivíduo, como estar
constantemente cansado, com sono, com dores de cabeça, mal-humorado, com
dificuldades em estar concentrado, com diminuição do desejo sexual, ou até
mesmo apresentando impotência, para além de outros problemas para a saúde em
geral (hipoxemia, hipercapnia, alterações da tensão arterial, entre outros).
A roncopatia deve ser igualmente levada a sério,
pois também tem muitas repercussões, como problemas conjugais, devido à
impossibilidade de dormir ao lado do cônjuge, bem como pode aumentar o risco de
desenvolvimento de diabetes e, suscitar maior génese de gordura nos vasos
sanguíneos da região do pescoço, aumentando o risco de Acidentes Vasculares
Cerebrais Isquémicos.
Algumas medidas de prevenção têm-se demonstrado
importantes, como a extração das amígdalas e adenoides (em crianças), a
diminuição de peso, o tratamento de anomalias nasais e faríngeas e, ainda,
evitar o consumo de álcool, de tabaco e de fármacos com efeitos sedativos.
Os tratamentos são variados, dependendo dos
resultados obtidos no estudo polisonográfico, tendo todos o mesmo objetivo,
impedir que haja o encerramento das vias aéreas durante o sono.
Para além de ter em conta um tratamento
comportamental, impondo medidas preventivas a cima referidas, poderá ser ainda
proposta a utilização de aparelhos intraorais (alteram o posicionamento da
mandíbula), o uso de uma máscara nasal ligada a um respirador (é exercida
pressão positiva nas vias respiratórias) e o tratamento cirúrgico
(traqueostomia, uvulopalatofaringoplastia, cirurgia de avanço
maxilomandibular).
(máscara nasal) (aparelhos intraorais)
Nos últimos tempos, tem-se apostado numa nova opção
de tratamento, a Terapia da Fala, utilizando a terapia miofuncional, que tem
sido muito utilizada no Brasil e, que tem testemunhado resultados
satisfatórios, tornando a qualidade de vida do utente mais satisfatória.
Num estudo realizado por Guimarães (1999 cit in Soares et al, 2010), os utentes que apresentavam SAOS, após a intervenção
da Terapia da Fala, melhoraram de 40 a 50% no que diz respeito ao número de
paragens respiratórias, bem como diminuíram significativamente o ressonar e a
sonolência durante o dia.
Então, o Terapeuta da Fala deve ser capaz de abordar
os pontos-chave no tratamento comportamental, como a posição no sono, a
privação de álcool, de tabaco e sedativos, tendo em conta também a chamada de
atenção do indivíduo para a perda de peso e para o tratamento das doenças de
base, que originam a obstrução (rinites, hipotiroidismo, etc.).
Posto isto, o Terapeuta da Fala irá iniciar a
terapia miofuncional, para a consciencialização do problema e necessidade da
sua correção e para a melhoria da postura corporal. Posteriormente, serão
realizados exercícios e manipulações específicas para a adequação das funções
estomatognáticas (fala, mastigação, sucção, respiração e deglutição) e da
tonicidade muscular, com o objetivo de reabilitar a musculatura orofacial e
faríngea, para que haja uma correta passagem do ar durante o sono.
Podemos afirmar então, que a intervenção da Terapia
da Fala nestas perturbações do sono é importante, sendo capaz de auxiliar os
utentes portadores de roncopatia e de SAOS, promovendo a diminuição de
episódios obstrutivos e, consequentemente, diminuindo o ressonar, o sono
agitado, a perda de memória, o cansaço constante e todos os outros problemas
advindos destas alterações do sono.
Bibliografia:
Andrade, M. (S.D.) [Em linha]. Distúrbios do sono. Disponível em: http://www.disturbiosdosono.net/apneia-do-sono.shtml.
[Consultado a 02/03/2012].
Pereira, A (2007). Síndrome da Apneia Obstrutiva do
Sono. In: Arquivos de Medicina 21(5/6);
pp. 159-173;
Soares et al
(2010). Fonoaudiologia X Ronco/apneia do Sono. In: Revista CEFAC Mar-Abr; 12(2); pp. 317-325;
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